Um amor para não recordar

Foi em pleno mês de julho, ainda carregado pelo clima de festa junina, que minha vida mudaria para sempre. Surpresas são como presentes fora de hora, nunca esperamos quando elas chegam para nós, e algumas são como presentes: antes de serem desembrulhadas e testadas com o tempo se mostram perfeitas, mascarando os seus possíveis defeitos. Durante aquela festa, meu tio Alberto havia chegado e estava acompanhado de dois rapazes que eu nunca tinha visto. Beto como todos chamavam meu tio se aproximou de mim e me disse:

  • Você viu aqueles dois rapazes que eu trouxe, Lara?
  • Sim…
  • Um deles gostaria de te conhecer, eles são meus amigos.
  • Olha tio, não estou afim…
  • Pensa um pouquinho e depois me fala.

Com o desenrolar da festa, descobri os codinomes daquela dupla que não me atraía: “Aí” e “Ida-e-volta”… Assim eram chamados a dupla de irmãos. Não via nada de especial em nenhum deles e ainda inventava para o meu tio, desculpas e eu até inventava que gostava de mulheres para me safar. Eles se apresentaram para mim, mas não passou disso naquela noite.

Depois de 15 dias, “Aí” voltou a minha casa e veio trazer uma bebida para o meu pai e neste dia começamos a conversar e depois de descobrir seu verdadeiro nome: Roger, percebi que ele tinha um “papo” agradável e em minha ânsia escondida e reprimida começamos a “ficar”. As idas do Roger foram ficando frequentes em minha casa, até que finalmente decidimos oficializar o namoro exatamente no dia dos pais. Não atentei para a minha imaturidade, já que eu tinha 16  e ele 22. Sua vida era bem corrida e seu trabalho o afastava da família que morava em uma cidade chamada Marambainha, distante de BH, um pouco mais de 500 KM ou aproximadamente sete horas de viagem.

Sempre em suas férias de trabalho e feriados, aquela cidadezinha se tornava seu destino. Em minha janela olhando para a varanda, as gotas leves de chuva que caíam sobre a varanda da minha casa e o meu quintal, tudo parecia perfeito. A saudade invadia o meu ser e o desejo de ter seus abraços e beijos apertava meu coração. Estes sentimentos se contrastavam com o clima de pós réveillon daquele dia dois de janeiro de 2017. Tudo isso… Apenas nos seis primeiros meses. Em meus pensamentos tudo parecia normal, não imaginava que algo pudesse estar errado, até que meu querido Roger havia voltado de sua cidade no dia três.

Ao me visitar ele chegara em minha casa e sentamos no sofá da sala. Ele me disse que precisava ir ao banheiro e ao sair para ir, sem querer seu celular acabou ficando ali do meu lado. Minha curiosidade era tanta que não resisti e prontamente peguei o aparelho dele e comecei a explorá-lo. E logo o que descobri… Muitas mensagens de uma garota que diziam:

” Volte logo!”… “Preciso sentir seu calor”… “Acho que estou grávida”…

Eu esperei sua volta para a sala e novamente ao sentar ele tenta me abraçar, mas já não conseguia encarar toda aquela farsa. Então eu me dirigi a ele com muita mágoa e raiva e que me respondesse com sinceridade. Perguntei:

  • Eu vi toda sua conversa com a tal de Isadora. Quer dizer que tudo o que você me dizia e fazia era uma mentira?
  • Calma, Lara eu posso explicar…
  • Como vai explicar… Está tudo escrito aqui e ela ainda deixa claro que vocês tiveram uma noite calorosa no feriado de sete de setembro.
  • Ela é minha amiga, e acabou acontecendo um lance esporádico, foi só isso!

Eu já não aguentava olhar mais para a cara dele e pedi para que ele fosse embora. E tudo o que se sucedeu nos meses seguintes parecia ser um verdadeiro pesadelo, com constantes discussões até que concordamos em colocar um fim em tudo aquilo, quase um ano depois de um promissor começo. Fiquei triste e magoada porque ele jogou com a minha confiança e não retribuiu o carinho que eu tinha por ele. Ele chegou a dizer que eu estava obcecada pela Isadora. E foi aí que decidi que não suportaria mais… Foi o ponto final.

Foi difícil terminar, pois eu ainda gostava muito dele e se não achava nada de especial no Roger a primeira vista foi com alguns meses que aprendi a gostar dele. Cheguei a ficar doente, não comia direito, chorava e não saía muito. E como consequência você perde a fé no outro e se fecha para outras oportunidades com medo de um novo fracasso sentimental.

Este foi o meu primeiro amor, um amor para não recordar.

Este texto foi inspirado em uma história real de uma jovem, moradora de Betim. Muitos outros vão pintar por aqui, o próximo pode ser o seu. Mande sua história para o blog.

Nos vemos por aqui.

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