Tarde demais

Chove, a areia se dissolve com as águas que a encontram, o céu escuro insiste em dizer que a vida não é justa… Em seus braços uma bolsa pendurada, logo é largada ao chão. As lágrimas escorrem, se misturam também com o choro das nuvens. Uma voz recita… “Não fique… Corra…” E ela corre. Para longe. Para as luzes vivas de uma cidade apagada. Seus cabelos molhados lhe caem ao rosto… Sozinha, amargurada… Onde é que perdera seu coração? Olha para trás, nada vê se não as gotas se dissipando no chão. Tarde demais, o som do trem se faz ouvinte. É sua última chance, ame o mundo ou o odeie… Viva ou morra. A luz do farol ilumina seu rosto sofrido. O maquinista se desespera. O trem insiste em parar. O som do ferro em atrito se iguala as dolorosas batidas de seu coração. Sua última chance, garota… Saia dos trilhos. Fuja e condene-se ao sofrimento… Morra, e se deleite na felicidade. Seus pés descalços ardem, seu corpo molhado já não obedece… Fique, morra… Fuja, viva… O maquinista apita novamente… Cinco segundos, garota e você já não estará mais aí. Fique, morra… Fuja, viva… O tempo é curto… Quatro segundos, ainda não acabou… Três segundos, ame… Dois segundos, volte a sorrir… Um segundo… Não se vá… Mas um trovão ressoa, insistindo em dizer que já não restara nada, apenas os pedacinhos do que um dia foi um coração e todo o peso da dor da alma. O maquinista chora. Já é tarde demais.

Texto de autoria de Laura Helen;

Laura é aluna da Escola Estadual Amélia Santana Barbosa, situada em Betim/Mg. No limiar dos seus 15 anos, ela adora ler, escrever, além de curtir uma boa música, jogos de videogames e animes em suas horas vagas.

E esta foi a inauguração da seção: Sentimentos sob palavras, trazendo um belo poema de uma ex-aluna minha, a Laura. Mande seus textos para o blog, os melhores serão publicados aqui.

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