O que leva um jovem ao suicídio?

As dúvidas pairam no ar e com certeza, ficamos desnorteados em saber que aquele amigo nosso que víamos todos os dias perto de casa ou na escola não vai voltar. Nos perguntamos: Por que? Por que se matar? Qual foi o verdadeiro motivo? Por que uma vida tão bela se desfez de repente?

Na verdade muitos podem ser os motivos que levam a tal atitude, depressão, isolamento, relacionamento familiar difícil, término de namoro… Ainda podem haver outros fatores que corroborem a decisão terrível de tirar a própria vida. Em uma carta de despedida uma jovem de 16 anos, decide que o melhor é partir, deixar o enorme pesadelo que lhe aflige, pois a agonia e angústias ferem e te dilaceram por dentro. A ação tomada não é simplesmente por ser uma frescura como muitos ou alguns familiares acham. É muito sério e precisa ser entendida, porque algo está errado. Na O que as mentes iniciantes na vida, ocultam dentro de si? Eles precisam da nossa ajuda. Vários são os casos que infelizmente chegam ao nosso conhecimento e que nos fazem pensar como aconteceu tal fato e por que não fazemos nada.

No meu período de adolescência durante um bom tempo, quase sempre na rua de casa, eu e outros meninos se aglomeravam para brincar e contar histórias. Nosso grupo era grande, contava com mais ou menos nove pessoas. Naquela ladeira sempre nos reuníamos as tardes para jogar uma “peladinha”, uma partida de vôlei, pique-esconde ou até a saudosa “rouba-bandeira”. Entre nós estava o Silas, 15 anos, loiro, magro, 1,78 m aproximadamente, rosto angelical e cabelos lisos iguais ao do personagem do filme Dennis o pimentinha. Quem o olhava sempre dizia: “este vai fazer muito sucesso com as garotas”. Ele de fato era dono de uma beleza, que nenhum outro naquele grupo detinha. A julgar pela aparência e por suas atitudes, seu comportamento era completamente normal. No entanto, em um certo dia, sua avó veio correndo até a minha casa, desesperada e esbaforida dizendo:

“Me ajudem por favor, o Silas está desacordado, preciso levar ele imediatamente para o hospital”

Nos comovemos com aquelas lágrimas que escorriam sem parar vindas daquele rosto vermelho e ofegante. Meu pai, acompanhado de minha mãe entraram no carro sem pestanejar, foram até a casa dele que ficava na rua acima da nossa e o levaram para o hospital. Isto já era por volta das 20 horas. Já pela madrugada, quando voltaram minha mãe me explicou que o Silas estava inconsciente e que fizeram uma lavagem no estômago para eliminar muitas substâncias tóxicas provenientes de vários remédios que ele havia ingerido. Graças a Deus foi só um susto, mas sua atitude se remete a tentativa de suicídio.

Depois que ele se recuperou e esteve pronto para voltar ao convívio da nossa sociedade, a primeira vez que o vi na rua foi algo impressionante e impactante. Era outra pessoa que eu via a partir daquele momento. Ele teve coragem e enfrentou o que lhe mais afligia… O preconceito. Deu para entender a mensagem que ele queria nos transmitir. Ele desfilava sem medo dos olhares e vestido de saia e maquiado. Este era o novo Silas. Ele se assumiu.

Com o tempo ficou claro que aquilo o corroía por dentro e o medo de encarar o fantasma da não aceitação por parte da família e amigos foi a pior coisa. No entanto ele superou, voltou dos mortos, mas sua atitude quase lhe custou muito caro. Comigo e com os amigos da famigerada ladeira ele sempre pode contar, mas nem sempre vai ter quem o acolha por perto, e isso ele bem sabe.

Este foi um exemplo ligado a sexualidade, imaginem agora aquela garota(se aplica a garotos também) que sofreu um abuso por um desconhecido ou algum ente familiar. Em uma carta de despedida escrita bem no auge da sua juventude, ela decide que o melhor é partir, deixar o enorme pesadelo que lhe aflige, pois a agonia e angústias ferem e te dilaceram por dentro. A ação tomada não é simplesmente por ser uma frescura como muitos ou alguns familiares acham. É muito sério e precisa ser entendida, porque algo está errado. Às vezes ela fica de cabeça baixa, triste, com seu ser interior despedaçado. Sabemos que se socializar e se abrir é muito difícil, mas precisamos tentar pelo menos estender a mão, pois ela precisa de ajuda. Os olhos ao seu redor, as atitudes esnobes, inconsequentes nas escolas que não combatem o bullying, a não aceitação de sua própria imagem, tudo isso vai acumulando e inchando o seu ser, até que aquilo um dia explode. Não é possível mais conter a ebulição de pensamentos e sentimentos. Será essa a causa para se drogar e se auto-mutilar? Pode ser somente uma hipótese, mas deveria ser levada em consideração.

Além da sociedade que somente impõe sua alternativas de um mundo irreal, feito de ilusões e padrões de vida e beleza que não estão ao alcance de todos, a família muitas vezes não enxerga o problema ou finge não ver, quando ele está bem em baixo do próprio nariz. Quando enxergam, muitas vezes já é tarde.

Ao chegar bem próximo ao seu final a pessoa pensa e age como se não tivesse opção e se pergunta:

Será que esse não é meu mundo? Aonde estão todos e por que não me ajudam?

A história acima infelizmente foi real e serve para pensarmos: Para onde foi nossa humanidade? Nossa gentileza, nossas mãos estendidas para quem precisa? Precisamos ajudar, agir mais. Somente nós podemos reverter este quadro assolado pela depressão e morte. Estenda sua mão, dê um sorriso para quem está no fundo do poço. Deus agradece.

 

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