Depressão na Adolescência

Muitas podem ser as razões para o surgimento da depressão na vida das pessoas. Abuso sexual, o fim de um romance, não aceitação do próprio corpo, bullying, sequelas de acidentes, etc! Quando surge na adolescência, esse transtorno pode passar despercebido pelos pais e familiares devido à rotina de trabalhos e falta de diálogo entre os familiares e o indivíduo que apresenta o quadro da doença. O diálogo é um fator muito importante e ajuda na detecção do problema, quando a origem deste não está sendo causada por algum parente.

A seguir você vai acompanhar em uma entrevista, a saga da jovem Karina Alves de 15 anos. Ela fala sobre o drama de ter tido a doença, as causas e a forma como fez para superar o problema.

1) Começou a apresentar o quadro de depressão com quantos anos?

Oito anos.

2) Você se lembra como tudo começou?

Tudo começou quando eu ainda cursava a minha primeira série. Eu era vítima de bullying e era ofendida constantemente pelos meus colegas.

3) Que tipo de insultos eram estes?

“Gorda, ridícula, horrorosa, assombração, bruxa…”

Diziam que nem se eu nascesse de novo, melhoraria.

Que iam comprar minhas roupas de bruxa, que o meu estilo era uma ofensa e dariam um jeito de me levar no esquadrão da moda.

4) Como você era muito nova, provavelmente seus pais perceberam que algo errado se passava com você, não é mesmo? O que você pode falar da participação deles no processo de identificação do problema e na busca de ajuda?

A única coisa que posso dizer é que meu pai nunca se importou de verdade, ele nem me via.

5) Houve algum problema de família durante esta fase?

Sim, meus pais se separaram bem na época que eu comecei a sofrer bullying.

6) A separação afetou seu quadro de saúde?

Sim, muito, eu gostava muito do meu pai.

7) Você pode dizer que o tratamento com o psicólogo valeu a pena?

Possivelmente! Só me lembro, que eu saia sempre chorando, e depois de alguns meses que eu fui, comecei a sair do consultório sem chorar.

8) Agora com 15 anos, como você se sente?

Bem, mas no ano passado, um nutricionista me encaminhou para o psicólogo novamente, por suspeitar que eu estivesse obesa e depressiva.

9) Então você retornou para o psicólogo?

Sim, mas por um breve momento.

10) Aconteceu algo, antes desse retorno?

Eu chorava às vezes, na escola, em casa e em outros lugares.

11) Recentemente, você notou se havia algo que desencadeava a tristeza?

Sim, ver quem eu gostava me decepcionando (normal) e ver as pessoas (principalmente os meninos) me olhando de forma diferente… Dizendo que sou especial e coisas do tipo.

12) O que você sentia nesses momentos?

Tristeza, ódio, confusão, incerteza, solidão…

13) Alguma vez o suicídio esteve em mente?

Sim, infelizmente.

14) E seus amigos mais próximos, dentro e fora da escola… Perceberam que algo estava errado com você?

Só quando eu chorava.

15) O que eles diziam?

Para de drama.

16) Ou seja, eles não se importavam muito não é?

É, mas eu sempre fui dramática.

17) Ter sofrido bullying te tornou mais forte, ou essa questão ainda te afeta nos dias de hoje?

Quando eu era criança eu sofria bullying o tempo todo. Fui perceber quando fiquei mais velha, isso há pouco tempo, que às vezes eu recebia elogios, mas eu não conseguia aceitar verdadeiramente. Eu voltava no passado, quando só zoavam… Então, através de um elogio eu só conseguia ver uma ofensa/insulto, mesmo não sendo pra mim, eu sentia como se tudo fosse uma ironia sobre minha aparência. Também tem o fato de eu usar alguma gíria e o meu gosto musical(Rap/Hip-Hop)… No entanto, em relação à opinião dos outros, concordo, recebo, mas se não vai me ajudar em nada, eu não dou ouvidos. É como eu falo pra mim mesma e para todo mundo: “vida que segue”.

18) O que te ajudou a superar esta tempestade? 

Ler livros, os estudos e o fato de desenhar me ajudaram a superar meus problemas. Com elas, eu não me preocupava com os outros, era tipo eu e o meu mundo.

19) O que você diria para os jovens da sua idade, que enfrentam ou passam por uma depressão?

Se distraia, chore, grite! Tente achar alguma atividade que estimule o seu pensamento, que te desligue do mundo de lembranças e pensamentos tortuosos. Algo que te faça viajar e extravasar a dor da alma. Procure alguém para desabafar, dividir a dor e compartilhar as alegrias. Abaixo, a jovem Karina:

Essa foi o primeiro post sobre da série Depressão na Adolescência. E você vai ficar de fora? Nos vemos em breve.

 

Um comentário em “
Depressão na Adolescência

  • julho 10, 2017 em 11:21 pm
    Permalink

    Uma pena que pessoas externas e que não possuem a doença,não entendam como doença. É necessário que a pessoa próxima a quem se tem a doença, se mobilize em prol de ajudar e mostrar que existe apoio e suporte, que ela não está nessa sozinha nessa batalha.

    Resposta

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