Como o cérebro reage diante dos games de ação

Em uma conferência na cidade de Lausanne na Suíça em 2012, realizada no dia 22 de junho, a Neurocientista Daphne Bavelier, mostrou como nosso cérebro reage diante dos games de ação. Foi durante o evento de uma organização independente chamada TEDxCHUV que a neurocientista da Universidade de Genebra apresentou alguns resultados da sua pesquisa mostrando as verdades e os mitos sobre os efeitos para a nossa mente advindos da prática de se jogar jogos de vídeo-games pertencentes ao gênero de ação.   

Todos nós sabemos que a média de idade dos jogadores de games aumentou. Hoje em dia não só crianças e jovens jogam, mas também os adultos. Para se ter uma ideia de como alguns jogos estão bem presentes em nossas vidas, o jogo Call of Duty – Black Ops foi jogado pelo tempo aproximado de 68.000 anos em todo mundo, após seu primeiro mês de lançamento, segundo as estatísticas da Actvision, explica Daphne.

 

Um dos mitos questionados pela pesquisa é a afirmação de que jogar video-game não pode ser bom para a saúde. A neurocientista afirma que cinco horas por dia,  10 ou 15 horas por semana pode ter um efeito poderoso e positivo, atuando de diferentes formas no nosso comportamento. Mais ainda se os jogos praticados forem de tiro ou de ação.

Visão Apurada

A pesquisadora afirma que aqueles que jogam games de ação e passam pouco tempo em frente à tela da TV, tem uma visão considerada normal. Porém se esses indivíduos passarem a jogar horas por dia, 10 ou 15 horas por semana sua visão passará a ser mais apurada, superando aqueles que não jogam jogos de video-games. A diferença se manifesta em dois aspectos diferentes segundo a neurocientista:

1)Eles são capazes de resolver pequenos detalhes em situações que expressam desordem, e são capazes, por exemplo, de ler escritos pequenos como o de uma bula de medicamento.

2)São capazes de distinguir diferentes tons de cinza.

Estes dois fatores comprovados refutam a teoria de que os jogos podem prejudicar a visão.

Jogar pode causar perda de atenção?

Este é mais um mito desmentido pela pesquisa, pois em seus experimentos Daphne constatou que os jogadores de games são capazes de realizar com desempenho superior, situações ligadas a multitarefas. Já os indivíduos classificados como multimídias e multitarefas (usuários que ouvem música, pesquisam algo na internet e conversam no Facebook, tudo isso ao mesmo tempo, por exemplo), são piores em realizar multitarefas. Não conseguem mudar de uma tarefa para outra tão rápido quanto os gamers. Tudo constatado em laboratório.

Mudanças cerebrais

A pesquisa também revelou que aparecem mudanças nos cérebros dos jogadores relativas as conexões cerebrais que controlam a atenção. Veja quais são estas partes e suas funções:

Cortéx parietalControla a orientação ou a nossa localização no espaço e o reconhecimento de objetos;

Lobo frontal- Controla como nós sustentamos a nossa atenção;

Cingulado Anterior- Controla como alocamos e regulamos a nossa atenção para resolvermos conflitos.

Essas três partes são mais eficientes nas pessoas que jogam video-games segundo o estudo.

Daphne deixa claro que a pesquisa deve continuar e que o objetivo passa por entender e distinguir quais são os elementos ativos nos games de ação, para que se possa produzir jogos que sejam eficientes no tratamento de doenças, como também na educação. E ela ainda deixa claro que através do estudo fica evidente que:   

  • Outro fato advindo da constatação anterior é que nem todas as mídias são iguais e cada uma exerce um efeito diferente no cérebro;
  • Diferentes jogos terão efeitos diferentes sobre o cérebro;

E o efeito do video-game pode ser benéfico nas doses certas, mas praticado exageradamente, pode ser prejudicial a saúde;

Então galera, vamos praticar mas sem exagerar!

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