A bebida na vida de um jovem

Tudo começou com algumas festas e bebedeiras em casa. Eu via meu pai se encharcar naquela “loira gelada” acompanhada de um tira-gosto e outros aperitivos. No início dessa trajetória, no auge dos meus 18 anos dentro do meu lar aquilo parecia muito normal. Meus pais não me repreendiam, e assim se tornou uma questão de tempo até saborear meu primeiro gole. Aquele sabor era divino, e diferente de tudo o que eu já havia experimentado e com o vigor que eu tinha nada parecia me afetar. No meu íntimo, os impulsos que corriam dentro de mim me davam a sensação de prazer e invencibilidade e uma certa voz no fundo do meu inconsciente me incentivava dizendo:

“eu posso, eu quero mais!”

Como bom praticante de esportes e com um belo físico, acoplado aos meus 1,95m, logo entrei para o time principal de vôlei da cidade. Muitos diziam: Cláudio… Você tem futuro, e outros exclamavam: Vai seleção! E como se não bastasse, aquilo tudo inflava meu ego e ajudava a corroborar o que aquela voz oculta me dizia. Mas sem querer e aos poucos eu começava a beber mais e mais, e o que era apenas um gole no início, começava a ficar mais frequente e quantitativo. E deste ponto em diante eu ia para os bares nos fins de semana, passando horas e horas, até que uma falsa alegria emergida de vários sorrisos descontrolados e um breve esquecimento dos problemas momentâneos me faziam deixar o local com dificuldade.

Foi então, que essa rotina começou sem que eu percebesse, a minar uma das minhas maiores conquistas, a titularidade no time de vôlei. Primeiro vieram os atrasos para os treinos… Em seguida, o banco de reservas… Até que finalmente… A exclusão do time. Tudo porque em um certo dia, antes do meu último treino, eu havia passado em um boteco no meio do caminho e tomado umas… Molhei minha camisa, e quando meu treinador me viu e chegou perto de mim para conversar sobre mais um atraso, ele acabou sentindo um ar, um cheiro de álcool. E decidiu me dispensar. Deste momento em diante, pensei que para mim bastasse um joguinho na rua ao invés da quadra, e logo em seguida uma rodada de cerveja no barzinho da esquina. Esta sina me acompanhou durante cinco anos, dividida entre meus companheiros nobres: as “loiras geladas”, os “pinguins”, as cachaças, até que… Com o passar dos meses meu físico e resistências que me colocavam em um patamar mais elevado em relação aos meus colegas e amigos, foi declinando. Ao subir um pequeno morro, antes de chegar na rua da minha casa, eu “ziguezagueava” e me esforçava para não cair. Era a imagem de um robô tentando chegar ao seu destino.

Aquele processo durou mais alguns anos, até que em uma tarde quente, em casa, sentado no meu sofá, meus olhos viam a claridade da TV, até que o ar começou a faltar. Além de respirar com dificuldade, meu coração começou a acelerar, minha visão começava a embaçar, vultos e vozes que eu nunca tinha visto se apresentavam até que… Eu me ajoelhei e quando eu vi que alguém se aproximava… A luz se apagou.

Texto inspirado em uma história real.

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